domingo, 26 de setembro de 2010

Afetividade

Bolhas. Esses sentimentos fluem dentro de bolhas, por vezes sendo elas próprias uma sensação. Em alguns momentos, você sente a necessidade de acobertar e se camufla numa grande bolha protetora, e densa. Mas tem aquelas horas em que você quer estar apenas dentro dela, sendo levado pelos ventos pra qualquer lugar, sem medo de tocar em nada, já que somente ela dissolveria. O problema é que os sentimentos são bolhas mutantes, se transformando quando bem entendem em avesso se precisarem. A gente não. Somos bolhas ou estamos nela e a mudança leva tempo. É um processo sair de uma bolha construída pra você e virar essa mesma bolha pra outra pessoa. Sentimos a necessidade de ser uma bolha, mas também queremos estar dentro de uma. Surge então o dilema do peso das coisas, medindo o que vale mais a pena, e o paradoxo do tempo, mudando constantemente as nossas vontades. Nos transformamos, por fim, num vento qualquer, levando e sendo levado por tudo, esperando que num sopro ingênuo surja uma bolha leve e levada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Leveza... Leve-az!

"Nuvens... Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero! Nuvens... Estão passando sempre, umas muito grandes, parecendo, porque as casas não deixam ver se são menos grandes que parecem, que vão a tomar todo o céu; outras de tamanho incerto, podendo ser duas juntas ou uma que se vai partir em duas, sem sentido no ar alto contra o céu fatigado; outras ainda, pequenas, parecendo brinquedos de poderosas coisas, bolas irregulares de um jogo absurdo, só para um lado, num grande isolamento, frias.

Nuvens... Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto a parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno meu o universo incógnito. Estou farto de mim, objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo, e do tudo de tudo. Nuvens... São tudo, desmanchamentos do alto, coisas hoje só elas reais entre a terra nula e o céu que não existe; farrapos indescritíveis do tédio que lhes imponho; névoa condensada em ameaças de cor ausente; algodões de rama sujos de um hospital sem paredes. Nuvens... São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escurecendo negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu. Nuvens... Continuam passando, continuam sempre passando, passarão sempre continuando, num enrolamento descontínuo de meadas baças, num alongamento difuso de falso céu desfeito."


Texto de Fernando Pessoa

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Incompleto

Antes mesmo de perder o equilíbrio, já estava desequilibrada. Os sons, a fumaça, os bêbados, todos, tudo empurrando pra fora um corpo que não estava mais ali, mas sugando a mente de quem permanecia estático, à espera de alguma coisa, da hora certa ou errada, tinha algo a esperar. Longe e perto, sendo tocada e rejeitada, se mantinha no mesmo lugar, aflita, calma, uma confusão prevendo uma contradição. Abraçava os braços dos desesperados e não conseguia lhe deixar tocar o rosto uma lágrima, era a agonia da noite - a vontade de chorar nos ombros de quem repulsava cada vez mais. Mas os outros choravam por ela, como se sua dor ressoasse por todo o ambiente e a livrasse daquele fardo ao mesmo tempo em que aumentasse, um balão cheio de ar. Não fazia o menor sentido estar ali, sóbria, embora fizesse todo o sentido do mundo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dito pelo não dito.

Procurei à noite inteira músicas e versos antigos que traduzissem o agora, ainda estou procurando, ouvindo, lendo, planando pelas superfícies e sendo recolhida para as bordas. É que não há o que me diga o que há, só há o que houve, tudo circundado por restos tão persistentes quanto necessários, impregnado. Esses escritos se vão pelos tempos arrastando o que vier pela frente, selecionando um qualquer intenso, como um imã que atrai qualquer coisa que possa ser atraída, e se constituem um qualquer cheio de significações para qualquer um. Foi um resgate madrugada adentro translaçando sono e insônia, não sei se adormeci, só sei que acordei pela manhã mais cedo que o de costume e levantei, carreguei a casa vazia com meus passos sonolentos de quem nunca precisou dormir na vida e tombei no sofá de frente ao jardim de inverno. O céu azul estava nostálgico, não num sentido ruim ou bom, apenas com algum sentido, uma nostalgia. Tive certeza então: eu estava acontecendo. Nos últimos anos, não tantos assim, mas o suficiente para ter uma entonação de relevante importância atemporal, estive sendo, fui essencialmente eu, traduzindo tudo o que quisesse e pudesse onde fosse possível ser escrito. Agora, as palavras parecem me fugir. Não tenho necessidade de resgatá-las, deixo-as livres compondo meus dias noutras palavras. É isso o acontecer, esse estar, esse constituir, preencher o tempo e não o espaço, porque ser impede que se esteja, provocando uma enorme necessidade de invadir o espaço com qualquer coisa que possa ocupar. Como estou acontecendo, não encontro mais explicação nem inspiração para traduções, pois estou por mim mesma traduzindo. Entendendo isso, pude conter o início de um desespero qualquer que me forçasse a voltar a ser e me permiti a simplesmente acontecer, jogando pro alto todo o sentido que construi quando aconteci sendo. Algumas pessoas me fazem ser. Outras me fazem acontecer. Eu, me faço duas ou mais, e quando sozinha acabo retornando à minha essência e traduzindo os espaços que pude ocupar e o tempo que pude perder.

Entre o ontem e o hoje, sendo ou estando, estou querendo o amanhã.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Instantes e bueiros

Havia lama pelos canteiros após uma chuva inesperada, cada pingo com pelo menos um grão de areia pintava as paredes brancas já rabiscadas, noite ou dia. O guarda-chuva não o cobria por completo, e de certo modo, além dos pés molhados, a calça já estava encharcada. Só a camiseta e os cabelos permaneciam intactos, até a mochila sofria os respingos do clima. Se aproximava de casa, não tinha pressa em seus passos, quem sabe um banho de chuva seria totalmente adequado naquele momento. Mas que momento, senão o vazio preenchido que o guiava até em casa? Não se sabe, apesar de haver um momento qualquer que fosse e precisasse de um banho de chuva, em seu incessante retorno sem prévias.
Capitu traíra ou não afinal? Não entendia essas discussões, nem queria. Queria era adentrar mais no que viria a ser escrito ou no que beirava o forno da padaria da esquina. Mas insistiam em Capitu, nas belezas de Capitu, nos olhos de ressaca de Capitu. Se Capitu estivesse na chuva, não provocaria tantos boatos essa suposta traição, os olhos traduziriam uma tempestade em alto-mar e o guarda-chuva talvez a cobrisse por inteiro. Mas havia um momento que precisava de um banho de chuva, não era Capitu. Quem sabe um momento escrito por ele mesmo. Ou nem escrito. Apenas o seu momento dissolvido em abstrações ou frustrações não registradas, ou simplesmente deteriorado em papel seda. Enfim, também havia o que precisasse ser afogado nesses canteiros e escorrido nos bueiros, esquecido.
Era inútil buscar o momento certo, mesmo caminhando alheio pelas calçadas e evitando encontros indesejados. Não queria mesmo falar sobre Capitu, talvez Hilda, mas Capitu não. Estava cansado daquele dia, daqueles momentos. Ainda bem que estava chovendo, pensava com um sorriso indiferente. Tinha vontade de largar o guarda-chuva ali mesmo e se atirar nas lamas com os pés descalços, à mercê de qualquer doença, calças dobradas até os joelhos e sem camiseta, a mochila escorrendo junto à corrente de água suja, lixo. Mas não era o momento, não era tempo de se expor por inteiro a qualquer temporal. E se aquela chuva fosse apenas uma nuvem passageira? Não arriscaria entregar-se assim, fácil, a um resfriado qualquer. E concluiu, não era o momento, definitivamente.

Talvez no portão de casa, antes de abrir, fosse o momento, ou no quintal, entre as flores cultivadas com apreensão, não sabia que eram tão delicadas. Aprendera a cuidar delas com o pouco de afeição que lhe restava, que as chuvas ainda não haviam levado. E floresciam, ali, no lugar delas. É, quem sabe entre elas houvesse um momento. Mas não, eram muito sensíveis, e ele queria escorrer rua abaixo com o mínimo de cautela. Não, entre as flores não, nem entre as ruas, ou na porta de casa. Desviou-se então para um bar qualquer.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Orvalho do Mediterrâneo

E o perfume que exalava naquela casa
Era a porta de entrada à minha alegria...


Alecrim. A primeira palavra que me veio à mente quando a vi cruzando a esquina. Alecrim, pelos fios dourados ou pelo perfume que logo sentiria, ou pela cerveja que partilharíamos naquela tarde mesmo, pouco depois de nos esbarrarmos, desastrada como só ela. Foi quase o destino intercalando nossos presentes, que beiravam um futuro premeditado, pois alecrim eu já sabia que plantaria naquele jardim a colorir todo o resto da casa, onde adormeci na mesma noite, passada lentamente sob o seu relógio. Ela controlava o tempo como ninguém, atrasava as horas e me tecia um longo tempo ao seu lado.

Parecia mesmo alecrim, ou rosa, por vezes, girassol. Pela manhã não acordava junto ao dia, era da noite, das madrugadas, e por isso chamava atenção por onde passava, um alecrim noturno exalando um aroma único dentre sombrios bosques e jardins adormecidos. Comecei a ter insônia e dias exaustos, afinal, dormir à noite seria estupidez enquanto ela se mostrava toda a quem quisesse ver. Eu queria. Entre bebidas quentes ou geladas, entre fumaça, desvarios, eu queria vê-la, somente. Às vezes tinha o privilégio de sentir aquele cheiro em meio a tantos odores, os que dissolviam-na num clarão escuro daqueles delírios noturnos rotineiros. As horas congeladas pelas suas mãos amornadas me davam a impressão de que podia tudo, e podia. Aquecia-me a pele sua carência disfarçada pelos tons dourados dos cabelos, alecrim, e num jardim, há pouco estranho, eu me encontrava à vontade, como um nômade.

Alecrim!, o qual plantei entre arbustos, cactos e nim, em pouco tempo desabrochou, disse ela num desses encontros perdidos. Disse também que exalava um perfume singular pela casa, mal sabia que era seu próprio perfume, distraída, ou despercebida de si. Aos acasos, a via por ai, dissipando-se, mais linda a cada esbarro, florescendo junto ao alecrim de seu jardim e de sua essência. Sim, era linda, e eu não entendia pra onde ia tanta beleza aos olhos dos outros e dela mesma. Tantos toques, tantos cheiros... Passava simplesmente, noturna, imune e impregnada pelos devaneios alheios e dispensáveis.

sábado, 26 de junho de 2010

Cronômetro

Soube naquele exato momento o que deveria ter descoberto há mais tempo. Agora era tarde. Não muito tarde, mas o suficiente para não dar mais tempo de resolver o que desejara ter resolvido a tempo, era simplesmente tarde. Ali, no instante de uma parada de ônibus, poucas pessoas o acompanhavam naquelas reflexões, não havia quase ninguém, aliás, arrisco dizer que daquelas poucas, nenhuma realmente o percebia. Os carros passavam, pareciam discorrer sobre um longo romance, e ele agora sabia finalmente. Sabia sobre os fins e começos. A demora do ônibus parecia proposital, como se indicasse uma espera provocadora de um atraso, quanto mais esperava, mais dava indícios de que não queria que chegasse, ofendia o tempo e o trânsito, tinha que descobrir qualquer coisa que justificasse o próximo passo, aquele que daria para continuar a viagem. — Não podemos insistir. — Sim, podemos. Ainda dá tempo pra tudo se consertar. Diga que sim! — Não, melhor não. E se foi escorrendo pelas horas como a água escorria pelos rostos e ralos depois de um banho demorado, ia carregado daquele corpo, agora límpido, para qualquer esgoto. O tempo nunca foi muito exato para ele, às vezes adiantado, outras, atrasado. Mas ele sabia que daria tempo e que poderiam ter consertado tudo, agora sabia.

O sol estava quase se pondo e Clarinha o esperava, nem ansiosa nem apática, apenas o esperava com ar de quem não espera nada, como se não houvesse nem nunca tivesse havido o que esperar. Quando ficava em casa, sempre havia muito o que fazer, então até que ele chegasse ia vivendo suas rotinas normalmente, sem que nada a afetasse. Era uma indiferença diferente, pois dava pra sentir o grande sorriso vindo do jardim abrir o portão da frente para recebê-lo e a casa, impregnada por passados dispensáveis de recordações, se transformava num ambiente perfeito para artistas fracassados, como eles dois, que coloriam sempre alguma parede juntos como se precisassem pintar alguma ausência de suas vidas. Beijavam-se entre as cores sujas, florescentes, e os desenhos indecifráveis, lembravam duas crianças que borravam suas roupas e que logo logo levariam bronca.

Ele, na parada, pensava em tudo isso, antes e depois de pegar aquele ônibus, havia parado ali. Lembrava também de Yasmin, que há alguns anos fora embora num voo imediato, sem sequer haver tempo de se despedirem. Ela não podia tê-lo, ele não podia perdê-la, e mesmo assim partiram-se um do outro em menos de um mês. Foi inevitável, para além de suas vontades, digamos quase um típico destino cruel. Quase porque Yasmin estava voltando. Não naquele ônibus que ele esperava, mas viria depois que ele passasse. Ela estava no passado, no presente e no futuro daquela parada. Mas disso ele não fazia mais questão de saber.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O vento da madrugada

Dizem que a cidade anda cheia de carros demais, fumaça demais, poluição demais. Em certas horas, é isso que dá pra ver mesmo, por isso gosto das madrugadas e dos drogados que andam perdidos por ela, a pé. Fica assim uma ausência, sabe? Uma ausência presente de tudo o que me agrada, só o vento em redemoinhos e nada pra atingir, folhas pelo chão, alguns insetos cientes da segurança do breu dos cantos das calçadas. Seria seguro se essa cidade fosse utópica, mas talvez seja essa insegurança das horas ruins que me acolhem melhor do que o sol do meio-dia. É uma paz só. Poucos me acompanham nessas passadas da noite, sem pressa nenhuma, afinal é perigoso, apesar de tudo estar ali exposto a olho nu, sem disfarces tóxicos, por isso gosto dos drogados, eles sim sabem o que usam. É uma consciência consciente, irônica, vai entender.

Acendo meu cigarro, a latinha de cerveja na outra mão e nesta noite caminho por aqui, sem rumo, sem nada, além do peso dos dias que cravam meus pés ao chão. Andarilho, vou dando passos bambos e dando com os ombros, cumprimentando desconhecidos e aceitando o que me oferecem, também sou um estranho. Ainda não falei em lua, mas por falar nela, está com aquele sorrisão minguante, fazendo da minha trilha uma confusão de caminhos, também a aceito. Não me canso dessas madrugadas nem das longas caminhadas, me canso dos dias, dos conhecidos, da inércia, me canso dos cigarros repetidos, quero tragos diferentes, assim não me vicio, só degusto. Também dizem que o mundo vai acabar logo logo. Acredito tanto que já comecei a fazer a listinha das coisas que ainda tenho que fazer antes dessa maravilha. Uma delas é comprar uma bicicleta e dar ao vento velocidade pra me atingir. Por enquanto, é o único item da lista. É difícil pensar em outras coisas quando só penso nisso durante as madrugadas e nelas é o único desejo que tenho. Poderia já ter uma bicicleta, mas durante o dia não sinto as mesmas sensações. Quando sinto, é madrugada e pego carona em garupas alheias, vou me levando por outros sentindo as sobras do vento.

Estou assim, parado, fumando, bebendo, sentindo, esperando caronas com minha lista nas mãos e eu poderia morrer agora junto ao mundo ou simplesmente me dissolver em fumaça que continuaria assim, feliz. E de qualquer forma, se não aparecer carona qualquer, vou a pé.

domingo, 13 de junho de 2010

Pelas ruas passadas

As ruas estavam meio vazias, era Domingo afinal e a cidade costumava ficar assim ausente de vidas, cheia de energias sobrevoando um céu livre de definições, mesmo nublado. Ia dividindo os passos com a própria sombra que tinha pressa, apenas pressa. Poucos carros marcavam a velocidade, isso era até bom, estar situado ali naquele vácuo ostensivo. Talvez pensasse em alguma coisa, em alguém. Ou talvez não pensasse. Mas pensava que não pensava e se sentia livre pra pensar qualquer coisa. Tinha em mente algumas vagas lembranças de um ontem irreal, tudo o que era passado não parecia de verdade para ele, eram sonhos distantes até mesmo dele. Só o agora o afetava, depois, ou antes, nada mais sentia. Achava ruim por alguns instantes, até o momento em que virassem passado. Depois, nada. E naquele instante, pensando nisso, percebeu que estava sozinho, por dentro. Até se lamentaria, mas estava sozinho. Algumas mesas desocupadas no canto da calçada deram lugar a uma solidão de Domingo, e ainda nem era noite. Olhava a rua quase sem movimento e suas mãos cansadas da semana, podia sentir uma dor física tornando reais aqueles dias de trabalho. E só. Pensava sem desesperos nos incômodos presentes, como poderia ser uma companhia agradável se não estava bem? E como ficaria bem se ninguém estava ali pra segurar aquela mão calejada? Difícil de entender. Só saem nos finais de semana com sorrisos, é um pré-requisito bastante importante, deveria saber disso ou ficar em casa. Às vezes até ficava em casa esperando por qualquer um que trouxesse algum sorriso usado, mas traziam sempre restos e durava tão pouco que mal dava pra pensar em causar boas impressões como recompensas. Então preferia sair por ai, despido de sensibilidades, sorrisos ou lágrimas, rodando pela cidade sem outros risos ou piedades. Não, não era uma boa companhia, nem poderia ser, já que dependia até mesmo de um espelho pra refletir qualquer traço bom. Sem companhia, voltava pra casa sem pressa pelas ruas mais vazias ainda das noites de Domingo. E pensava, talvez até gostasse da sua liberdade inútil.